sexta-feira, 10 de junho de 2011

A inocência pela adolescência

Era tudo tão mais fácil...
Colocar a roupinha na barbie, e logo depois cansar da brincadeira.  Pintar o rosto de todas as bonecas, até elas ficarem horríveis, e eu, acha-las lindas. Pentear os ursinhos de pelúcia até que ficassem sem o pelo.  A minha definição de difícil era encontrar a caixa para guardar todos esses brinquedos, e tentar matar a preguiça que havia em mim de guardar aquelas coisas minúsculas, que eram quase maiores que eu, naquele tempo. Eu precisava chamar minha mãe para me alcançar qualquer coisa que passasse da segunda gaveta, e lá vinha ela, com aquela cara brava de quem não estava gostando da minha bagunça.
As lembranças são tão vagas quanto às brincadeiras, que hoje, já não existem mais. A bonequinha feita de plástico, com cabelos maciços, pele brilhante e lisa e de roupas deslumbrantes, não passa de uma boneca que guardada em uma caixa acumula apenas o pó do meu quarto.
Colocando as memórias em dias e embaralhando-as quando penso no agora, é algo que eu não fazia quando era menor. Hoje, quase grande, vejo o quanto preferia as minhas antigas brincadeiras aos pensamentos cruéis que tenho nesse interim. Olhar para um lado, e depois para o outro lhe proporciona várias visões, mas nem sempre uma boa saída. A minha prisão são meus próprios pensamentos. Eu queria voltar no tempo e nunca ter trocado a minha boneca loirinha, pelos pensamentos loucos desse mundo.

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